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Colégio João Paulo II BragaEntrevista · Salas dos 3 anos

Entrevista · Pré-escolar, salas dos 3 anos

Pão por
Deus

«Uma tradição que se aprende com as mãos.»Educadoras das salas dos 3 anos · Colégio João Paulo II, Braga

Uma mãe e a filha, sorridentes, a moldar a massa dos bolinhos do Pão por Deus
Salas dos 3 anos. Mãos na massa, em família, para os bolinhos do Pão por Deus.
Sobre a conversa

A 1 de novembro, Dia de Todos os Santos, Portugal recorda o Pão por Deus, uma das suas tradições mais antigas.

Nas salas dos 3 anos, a tradição entrou pela porta da sala: houve histórias, uma lengalenga, ingredientes para pesar e contar, bolinhos feitos à mão e pais que vieram ajudar. Conversámos com as educadoras sobre o que as crianças aprenderam e porque vale a pena manter vivas as tradições portuguesas.

IA tradição
01

Porque é importante falar de tradições portuguesas a crianças de 3 anos?

Porque as tradições guardam histórias que ajudam a criança a compreender de onde vem. Conhecer os costumes da sua terra e da sua família dá-lhe raízes e um sentimento de pertença: «isto é nosso, também faço parte disto».

Bolinhos do Pão por Deus num prato de barro
Bolinhos para partilhar no Dia de Todos os Santos.

As Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar valorizam este conhecimento do meio e da cultura em que a criança cresce. Aos 3 anos, isso não se aprende de forma abstrata: aprende-se a ouvir, a fazer, a cheirar e a provar.

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Como se explica a origem do Pão por Deus a crianças tão pequenas?

Com uma história simples e verdadeira. Contámos que, há muito tempo, depois de um grande terramoto em Lisboa, muitas famílias ficaram sem nada. No dia 1 de novembro, Dia de Todos os Santos, as crianças batiam às portas a pedir «Pão por Deus», e quem tinha partilhava pão, broas, frutos secos e romãs, que elas guardavam num saquinho de pano.

Criança a moldar uma bola de massa com as duas mãos
Do saquinho de pano ao bolinho: a tradição aprende-se a fazer.

Com o tempo, o costume espalhou-se pelo país. Não precisamos de datas nem de pormenores: o que queremos que fique é a ideia de partilhar com quem precisa.

Partilhar com quem precisa: é esta a ideia que queremos que fique.
Educadoras das salas dos 3 anos
IIAprender com as mãos
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Que aprendizagens couberam nesta atividade?

Muitas, e de áreas diferentes. Na linguagem oral, a lengalenga do Pão por Deus foi um ótimo ponto de partida: as crianças memorizaram, repetiram, brincaram com o ritmo e as rimas e conheceram palavras novas. Brincar com os sons das palavras prepara o ouvido para a leitura.

Criança a mexer a massa numa taça grande com uma colher de pau
Mexer a massa, à vez.

Na matemática, a confeção dos bolinhos pediu que pesássemos e contássemos os ingredientes. Comparar quantidades, dizer «mais» e «menos», «pesado» e «leve», e seguir os passos de uma receita pela ordem certa são formas muito concretas de pensar matematicamente. A matemática está na cozinha, no jogo e no dia a dia.

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E o que se aprende quando se cozinha em grupo?

Aprende-se a esperar pela vez, a partilhar os utensílios e a perceber que o resultado depende do trabalho de todos. Amassar, enrolar e moldar a massa exercita a motricidade fina e a coordenação das duas mãos, que mais tarde vão ser tão importantes para segurar o lápis.

Criança a enrolar uma bola de massa entre as mãos
Enrolar a massa entre as mãos.

E há a descoberta: a farinha e os outros ingredientes transformam-se numa massa, e a massa crua, depois do forno, torna-se um bolinho que se pode partilhar.

IIICom as famílias
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Os pais também participaram. Como foi?

Mãe sentada no chão da sala, ao lado das crianças, durante a hora do conto
A hora do conto, sentados no chão da sala.

Foi um dos momentos mais bonitos. Os pais vieram à sala, ajudaram na confeção dos bolinhos e até adaptaram e escreveram a história do Pão por Deus para as crianças. Ouvir a história contada por quem a escreveu, e ver o pai ou a mãe de um colega a amassar ao seu lado, deu um sentido especial a tudo o que fizemos.

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Porque é tão enriquecedora a participação dos pais nas salas?

Porque ganham todos. As crianças sentem que o que fazem na escola importa também em casa, e isso dá-lhes segurança, orgulho e vontade de participar. Quando a família caminha com a escola, a criança sente que o seu percurso importa.

Mãe sentada no chão com o filho ao colo, a contar a história ao grupo
Contar a história ao grupo, com o filho ao colo.

Os pais conhecem por dentro o dia a dia dos filhos, a forma como trabalhamos e os colegas com quem eles crescem, e a conversa continua em casa. Trazem também saberes, histórias e memórias de família que enriquecem o grupo inteiro.

Para nós, educadoras, é uma oportunidade de conhecer melhor cada família e de construir uma parceria de confiança. Quando a família entra na sala, a aprendizagem ganha raízes.

Os pais na sala

Uma história, um saquinho e o pão

Nos dias em que vieram à sala, os pais contaram a história do Pão por Deus às crianças.

Trouxeram saquinhos de pano para guardar o pão, decoraram-nos com os filhos e fizeram com eles os bolinhos.

Criança a desenhar no seu saquinho de pano, com a mãe ao lado
Cada saquinho com o desenho do seu dono.
Criança a decorar o saquinho com marcadores, acompanhada pela mãe
Decorar o saquinho, lado a lado.
Mãe sentada no chão com o filho ao colo, a ler a história
Ouvir a história ao colo.
Quando a família entra na sala, a aprendizagem ganha raízes.
Educadoras das salas dos 3 anos
IVO que fica
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Que competências e aquisições ficam desta experiência?

Trabalhámos as três áreas das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar: Formação Pessoal e Social, Expressão e Comunicação e Conhecimento do Mundo. Em resumo:

Linguagem oral e abordagem à escrita

Memorizar e dizer a lengalenga, brincar com o ritmo e as rimas, conhecer palavras novas (broa, romã, saquinho, farinha) e contar a história por palavras suas.

Matemática

Pesar e contar os ingredientes, comparar quantidades (mais, menos, igual), usar palavras como pesado e leve, seguir a ordem dos passos da receita e contar os bolinhos.

Conhecimento do mundo

Perceber de onde vem uma tradição e observar transformações: a farinha que se junta aos outros ingredientes, a massa crua que, no forno, se torna bolinho.

Motricidade e sentidos

Mexer, amassar, enrolar e moldar pequenas bolas de massa, coordenando as duas mãos; sentir texturas, cheiros e sabores.

Formação pessoal e social

Esperar pela vez, trabalhar em grupo, cumprir uma tarefa até ao fim e sentir orgulho no que se fez em conjunto.

Valores

Partilha, gratidão e generosidade: o gesto de dar a quem precisa, que está no centro do Pão por Deus.

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Como podem as famílias continuar em casa?

Criança a pintar o saquinho de pano, com a mãe a observar
Pintar o saquinho com calma e atenção.

Conversando com os avós sobre como era o Pão por Deus no seu tempo, que versos diziam e o que levavam no saquinho. Repetindo a lengalenga, que as crianças adoram. Fazendo uma receita juntos e contando os ingredientes em voz alta. E, se houver um vizinho ou um amigo a quem levar um bolinho ou simplesmente um sorriso, aproveitando para viver o que a tradição ensina: partilhar.

Uma história do Pão por DeusO saquinho que ficou vazioColégio João Paulo IIA história contada na sala

O saquinho que ficou vazio

A história do Pão por Deus que as famílias contaram nas salas dos 3 anos, para ler e folhear em casa, página a página.

Folhear a história →
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